30 de dezembro de 2015

Como o inferno glorifica a Deus?


Para entendermos a maneira como o inferno glorifica a Deus, precisamos ver o inferno à luz da grande história da Bíblia, do seu ponto de vista e da sua caracterização de Deus e do homem.

A Grande História da Bíblia

A história da Bíblia, como todas as histórias, tem um começo, um meio e um fim.

O começo

29 de dezembro de 2015

Teste: sua adoração é pagã ou cristã?


Ser humano é ser um adorador. Essas são as palavras que abrem o excelente novo livro de Daniel Block, For the Glory of God [Para a Glória de Deus]. Homens e mulheres são adoradores inveterados. Paulo deixa isso claro em Romanos 1. Mesmo aqueles que rejeitam o simples conhecimento de Deus que pode ser percebido na ordem criada não deixam de adorar. Eles simplesmente adoram as coisas criadas, ao invés do Criador (Romanos 1.18). Dado que todos nós adoramos e nossos corações tendem a ser enganosos, é vital que nossa adoração seja moldada pelo que Deus deixou claro em Sua Palavra, não pelas nossas opiniões pessoais, experiências passadas e intuições.

Mesmo não sendo uma lista exaustiva, os 7 pontos a seguir nos ajudam a pensar de forma mais bíblica a respeito de adoração:

28 de dezembro de 2015

Cosmovisão Reformada (2/3)


QUEDA

Eis o problema fundamental da raça humana: nós estamos afastados de Deus.

E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom (Genesis 1:31). No entanto, no nosso tempo as coisas não parecem tão atraentes. O que aconteceu? Por que tudo se encontra tão torto e alquebrado? Por que, Senhor? Por que me encontro tão curvado, tão alquebrado, e as demais pessoas também?

Todos, sem exceção, se indagam sobre essa questão do “porquê”. Annie Lennox lança um assolador “Por quê?” em sua angustiante canção homônima,1 na qual a cantora investiga suas próprias futilidades e o alquebramento que existe entre ela e os outros.

26 de dezembro de 2015

Apóstolo era um dom espiritual? (1/2)


Precisamos agora tratar de mais duas passagens nas cartas de Paulo, que são usadas como base para a existência de apóstolos em nossos dias: 1 Coríntios 12.28 e Efésios 4.11.1 Nelas, “apóstolos” figuram em listas onde aparecem dons espirituais e ministérios.

A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas (1Co 12.28).

E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres (Ef 4.11).

A interpretação destas passagens pelos defensores do apostolado moderno é que ser apóstolo era um dom espiritual ligado a um ministério - o mais importante de todos - visto que estas listas são de dons e ministérios que Deus concedeu às igrejas para sua edificação. Assim, o apostolado deveria ter permanecido ativo na igreja de Cristo através dos séculos, bem como os demais dons mencionados nestas listas.


24 de dezembro de 2015

Calvinismo e Política (3/4)


Neste terceiro texto que estamos publicando, retirado de sua obra Calvinismo, Kuyper irá tratar da Soberania na Sociedade e como a Soberania primordial, isto é,  a Soberania do Deus Trino sobre todo o Cosmos, nas palavras dele, se irradia sobre ela. 

A Soberania na Sociedade

Chega de soberania do Estado. Vamos agora para a soberania da esfera da sociedade.

Esferas Sociais Independentes

23 de dezembro de 2015

As orações de alguns cristãos têm mais eficácia que de outros?


Todos os cristãos professos oram com a mesma eficácia? Nossa santidade ou a falta dela afetam nossas orações em termos da influência que elas têm sobre a resposta de Deus a elas?

Não há dúvida de que nosso pecado tem o poder de criar obstáculos para nossas orações (Sl 66.18; Pv 28.9; Is 59.2; Jo 9.31; Tg 4.3; 1Pe 3.7).

Então, se o pecado pode criar uma barreira invisível entre Deus e o seu povo ou um indivíduo, e quanto ao contrário?

22 de dezembro de 2015

Justificação


John Macarthur afirma que não há doutrina mais importante para a teologia cristã do que a doutrina da justificação pela fé somente, o princípio sola fide da Reforma.1

Lutero disse que a doutrina da justificação pela fé é o artigo pelo qual a igreja permanece ou cai. Calvino salienta que a doutrina da justificação é o eixo ao redor do qual a igreja gira. Antony Hoekema, por sua vez, enfatiza que se a igreja estiver errada nessa doutrina, estará igualmente errada nas demais.2

1. A definição de justificação

Em termos simples, podemos definir a justificação como “um ato de Deus pelo qual ele declara o pecador eleito como sendo justo sobre a base da justiça de Cristo, uma vez que a justificação se refere à justiça de Cristo sendo legalmente creditada ao eleito de Deus.”3

21 de dezembro de 2015

A essência do calvinismo



Se você perguntasse aos teólogos nos seminários ou às pessoas nas ruas, “o que é o calvinismo?”, as respostas que você obteria seriam bem diferentes. Apresentações distorcidas são bem abundantes. Por exemplo, no dia de Ação de Graças em 2007, o Grand Rapids Press publicou um artigo escrito por John M. Crisp intitulado Pensando como um Peregrino sobre Ação de Graças. Ele disse a respeito dos peregrinos: “As suas raízes religiosas retrocediam  as doutrinas melancólicas de João Calvino; e isso significa -  ao risco de parecer exagerada – que eles viviam com o temor importuno de que pendiam, a cada momento, em um fio delicado sobre o ardente abismo do inferno, apesar de sua fé, boas obras e manifestações exteriores das bênçãos de Deus”.

19 de dezembro de 2015

9 marcas de uma igreja doente


Graças a Mark Dever, muitos de nós estão acostumados com as 9 Marcas de uma Igreja Saudável. Por mais que a intenção nunca tenha sido a de dar a palavra final sobre tudo que uma igreja deve ser ou fazer, essas nove marcas tem sido de grande ajuda ao lembrar os cristãos (e os pastores em especial) do conteúdo necessário que muitas vezes nos esquecemos por viver em uma época guiada pela estética.

De certa forma, as nove marcas de uma igreja doente poderiam simplesmente ser o oposto de tudo aquilo que torna uma igreja saudável. Assim, igrejas doentes ignoram membresia, disciplina, pregação expositiva e todo o resto. Mas os sinais dos males da igreja nem sempre são tão óbvios. É possível que sua igreja ensine e entenda todas as coisas certas e mesmo assim esteja em um estado terrivelmente doentio. Sem dúvidas, há dezenas de indicadores de que uma igreja se tornou disfuncional e doentia. Mas vamos nos limitar a nove.

18 de dezembro de 2015

Cosmovisão Reformada (1/3)


CRIAÇÃO

Nada, literalmente, é possível sem o poder ordenador e criativo de Deus.

O filósofo alemão Martin Heidegger afirmou que a questão básica visada pela Metafísica é: “Por que existe algo ao invés de nada?”. Mediante tal definição, diz o filósofo, a ideia de uma Metafísica Cristã é um “círculo quadrado”,1 uma contradição em termos. Por quê? Porque o cristão já sabe, de antemão, a resposta para a questão. Sabemos que há algo ao invés de nada porque Deus criou o mundo.  

A despeito de nossa opinião acerca da definição heideggeriana de Metafísica, nós podemos concordar que ele estava certo a respeito de uma coisa. A crença de que Deus criou o mundo, que a realidade é – em um sentido fundamental – criação, é fundamental para o pensamento cristão.

17 de dezembro de 2015

Temor a Deus: a base de uma vida feliz


TEXTO BASE: Sl 111.10/112.1-10

INTRODUÇÃO

O salmo 112 é a segunda parte do Salmo 111. “Esse salmo começa onde o anterior terminou e une ambos”.1 “O salmo 111 louva a Deus por sua obra e caráter, e o Salmo 112 o completa por reconhecer a obra e o caráter do homem piedoso”.2 O salmo 111 termina fomentando o temor do Senhor (vs.10), abrindo caminho para o Salmo 112, onde este tema é enfatizado com maior primazia.   
   
Tanto o Salmo 111 quanto o Salmo 112 são acrósticos, isto é, são Salmos poéticos e se complementam em termos de conteúdo. “O salmo 112 é semelhante ao Salmo 1. Como estes são salmos de sabedoria, ambos descrevem o prazer da justiça, em contraste com os sofrimentos dos ímpios (Sl 1.4-6/112.10)”.3
 

16 de dezembro de 2015

Calvinismo e Política (2/4)


No artigo anterior, iniciamos a publicação de trechos do livro Calvinismo, do teólogo, pastor e estadista holandês Abraham Kuyper. Prosseguimos, nesta segunda parte, com a abordagem feita pelo autor acerca das duas teorias que se opõem a doutrina calvinista de soberania das esferas: a Soberania Popular proclamada pela Revolução Francesa de 1789 e a Soberania do Estado defendida pela escola alemã. Esperamos contribuir para uma correta compreensão da política sob a luz do cristianismo. Boa leitura!

15 de dezembro de 2015

Pornolescência


Vai levar tempo – décadas, pelo menos – antes de conseguirmos calcular o custo preciso de nosso vício cultural em pornografia. Porém, como cristãos, nós sabemos o que significa adulterar o plano claro e inequívoco de Deus para a sexualidade: o custo será alto. Ele deve ser alto.

Todos nós sabemos que o custo será alto em famílias fraturadas e pais, maridos e esposas inconsoláveis. Já estamos vendo muitos desses casos e cada um deles é uma tragédia particular. Nós sabemos que o custo será alto nos incontáveis milhares de mulheres que são usadas e abusadas na frente das câmeras para serem violadas para o prazer de outros. Esta também é uma tragédia repugnante. 

14 de dezembro de 2015

O outro lado da batalha espiritual que muitos desconhecem


Ao contrário do que muitos cristãos imaginam, nossa batalha contra Satanás e os demônios não é somente na esfera espiritual, como se a missão deles consistisse em apenas tentar os cristãos a pecarem contra Deus, oprimir as pessoas, frustrar os seus planos, causar acidentes, brigas, confusões, destruição de casamentos, dentre outras coisas. Satanás e os demônios só podem agir no mundo [ainda que influenciando as pessoas, uma vez que parte do mal que sobrevém em nossa vida é resultado dos nossos próprios pecados e escolhas erradas que fazemos] se Deus "permitir" conforme os seus decretos soberanos. O caso de Jó é um exemplo inveterado de que Satanás só tocou em sua vida porque Deus "permitiu" que ele o fizesse (Jó 1.6-12; 2.1-6).    

Não obstante, a outra faceta desta batalha espiritual entre Satanás e os cristãos é na esfera intelectual. 

12 de dezembro de 2015

Mantendo a fé numa época de incredulidade: A Igreja como minoria moral


A questão mais importante de nosso tempo, propôs o historiador Will Durant, não é o comunismo versus o individualismo, nem a Europa versus a América do Norte, nem o Oriente versus o Ocidente. É se os homens podem viver sem Deus. Essa pergunta, conforme parece, será respondida em nosso próprio tempo.

Durante séculos a igreja cristã foi o centro da civilização ocidental. A cultura, o governo, as leis e a sociedade do Ocidente estavam alicerçados em princípios explicitamente cristãos. Preocupação com o indivíduo, compromisso com os direitos humanos e respeito pelo que é bom, belo e verdadeiro – tudo isso se desenvolveu de convicções cristãs e da influência do cristianismo.

11 de dezembro de 2015

Paranóia interpretativa: uma resposta a Luís Fernando Pessoa


Nota: Infelizmente, o texto ao qual nos referimos, é fruto de todo um trabalho que tem sido construído dentro do conservadorismo brasileiro, especialmente em sua matriz católica, contra o protestantismo. Que ele sirva de alerta para os líderes reformados no nosso país.

A onda conservadora tupiniquim, ainda tão adolescente – se é que chegou à adolescência –, mostra os ares de sua imaturidade no texto Calvino e a Mentalidade Revolucionária, escrito pelo senhor Luís Fernando Pessoa, professor de História Antiga e Medieval da Universidade Estadual de Maringá, PR. Esperava eu, quando me foi enviado o referido texto, encontrar algum trabalho acadêmico respeitável, e não uma peça de desinformação tão supostamente bem intencionada.

Dez mandamentos para pastores


1. Dê prioridade a sua comunhão pessoal com Deus. Coloque sua alma em primeiro lugar: você manter comunhão com Deus é um pré-requisito para ser um pastor eficaz ao seu povo. Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue (At 20.28).

2. Dê prioridade à oração e santidade. Não se empenhe em nenhum sermão, nenhuma obra pastoral, nenhuma tarefa do ministério sem buscar a face de Deus em Jesus Cristo. Siga o conselho de John Bunyan: “Você pode fazer mais que orar depois que orou, mas não pode fazer mais que orar até ter orado”. Santidade pessoal é não apenas um alvo necessário, como também maravilhoso, e normalmente inseparável do sucesso divino no ministério.

10 de dezembro de 2015

Por que, segundo a teologia bíblica, o teonomismo é errado?


Nas linhas seguintes apresentarei alguns pontos com relação aos motivos pelos quais penso que o teonomismo não faz jus à teologia bíblica das Escrituras. De semelhante modo, incluirei alguns comentários exegéticos sobre várias passagens bem como diretrizes bíblico-teológicas mais abrangentes.

Primeiramente, esclareçamos os termos aqui abordados. O teonomismo pode ser definido como uma perspectiva teológica que crê que as leis civis do Antigo Testamento são aplicáveis aos governos atuais. NÃO É uma perspectiva que acredita que as leis cerimoniais ou o sistema de sacrifícios ainda estejam em vigor. As pessoas geralmente confundem essa diferenciação. O termo teonomismo, em si, se origina da junção de duas palavras gregas: theos, que significa “Deus”, e nomos, que quer dizer “lei”. Os teonomistas se opõem completamente a qualquer tentativa por parte do homem de determinar a lei por si mesmo. Desse modo, contestam a autonomia (a lei própria). Da mesma forma, também se contrapõem à abordagem dos “dois reinos”1 que vários reformados adotam atualmente. Agora, contudo, devo apontar primeiramente uma reserva, a saber, a minha concordância com os teonomistas em vários pontos.

9 de dezembro de 2015

O ato de profetizar e determinar: Uma análise histórica, teológica e apologética (3/3)


3. Análise apologética

Profetizar, conforme vimos na análise teológica, não significa fazer predições. Não é adivinhar fatos que estão ocorrendo no presente nem pressupor o que ocorrerá no futuro na vida das pessoas. Não é somente transmitir inspiradamente de modo verbal ou pela escrita a revelação direta de Deus como fizeram os profetas no Antigo Testamento e os apóstolos no Novo Testamento. Embora a profecia no Antigo e no Novo Testamento envolva predições, visto que o cânon sagrado estava sendo composto, todavia, profetizar é, sobretudo, interpretar e expor com fidelidade a Palavra de Deus. Assim, o profeta é tanto aquele que recebeu a revelação divina, como os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos quanto o que comunica a revelação divina, como os profetas do tempo presente. 

8 de dezembro de 2015

Calvinismo e Política (1/4)


Estaremos publicando uma série de quatro artigos sobre Calvinismo e política, extraídos do livro de Abraham Kuyper " CALVINISMO", que reúne  uma série de palestras proferidas pelo autor no Princeton University and Seminary, em 1898. Publicaremos trechos da palestra chamada "Calvinismo e Política". Ao longo do texto, Kuyper defende, brilhantemente, que o calvinismo abrange o conceito de Estado e que não se restringe a um movimento "exclusivamente eclesiástico e dogmático" ou de implicações somente soteriológicas. Sua argumentação enriquece a concepção da absoluta soberania divina sobre o cosmos, uma contribuição inestimável do calvinismo,  partindo do princípio que ela  é abrangente o suficiente para explicar o que ele denomina de tríplice soberania: Estado, Sociedade e Igreja. Nas palavras do próprio Kuyper: 

7 de dezembro de 2015

Deus não é o autor do pecado


Esta ideia pode nos ocorrer como consequência de que tal cooperação [Deus e homem] se daria na seguinte forma: há apenas uma causa para todos os movimentos e atividades. Sendo assim, Deus seria o único agente ativo, ao passo que o homem e todas as demais criaturas seriam inteiramente passivas, sendo colocados em movimento como as cordas de um instrumento musical, que são inteiramente passivas e cujo movimento é causado somente pelo músico.

Minha resposta a isto é: “De modo nenhum!” Ainda que as criaturas atuem como meios em relação umas às outras, quando Deus as utiliza na execução de Sua obra e propósitos, não obstante elas são a causa primária de seus movimentos e atividades. Isso não quer dizer que, com relação a Deus, fossem independentes dEle, mas, sim, com relação a outras causas subordinadas, bem como às consequências de suas atividades. Não há inconsistência no fato de que duas causas de uma ordem diferente possuem o mesmo resultado, especialmente visto que o resultado é o mesmo, procedendo de ambas as fontes de um modo diferente.

5 de dezembro de 2015

Morte natural e morte espiritual



Os não regenerados jazem num estado de morte espiritual. Para se tornarem vivos precisam que seja realizada uma obra poderosa e eficaz do Espírito Santo em sua alma. Essa obra é a regeneração espiritual (Ef 2.1, 5; Cl 2.13; 2Co 5.14) e é chamada de “animar”, ou de conceder-lhes vida (Ef 2.5; Jo 5.21; 6.63).

Esse estado de morte é tanto judicial quanto espiritual. Toda a humanidade por meio de Adão foi, pela lei, sentenciada à morte (Gn 2.17; Rm 5.12). Esta é a morte legal ou forense, e é somente por meio da justificação que somos dela libertados. A morte espiritual é semelhante à morte natural. É por estarem espiritualmente mortos que os não regenerados não podem fazer bem espiritual nenhum, senão até serem “animados”, receberem vida, pelo poder onipotente do Espírito Santo. Nenhum não regenerado pode resistir ao Espírito Santo quando ele assim opera. Quando alguém que jaz morto em delitos e pecados é animado, recebe vida. Torna-se vivo em Cristo. Mas o que é essa nova vida espiritual?

4 de dezembro de 2015

O ato de profetizar e determinar: Uma análise histórica, teológica e a apologética (2/3)


2. Análise teológica

Conforme vimos na introdução, as palavras profetizar e determinar (ou decretar) não são sinônimos, isto é, não possuem o mesmo significado, porém estão relacionadas entre si. Analisarei o ato de “profetizar e determinar bênçãos” na parte apologética deste ensaio. Destarte, vejamos, então, as implicações do ato de profetizar no contexto do Antigo, do Novo Testamento e no tempo presente.    

3 de dezembro de 2015

Quando você é tentado a irritar-se com a fraqueza dos outros


Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos. (1 Tessalonicenses 5.14)

Deus salva todo tipo de gente, coloca essas pessoas juntas em sua igreja e diz “agora amem um ao outro”. A família de Deus inclui aqueles que já andaram com Deus por anos e aqueles que ainda estão esfregando os olhos, maravilhados por terem sido salvos por Deus duas semanas atrás. Deus une os fracos e os fortes, e nos diz para vivermos juntos de uma forma que irá glorificá-lo.

2 de dezembro de 2015

O uso das Escrituras na Filosofia (2/2)


O QUE É CALVINISMO?

O calvinismo, de semelhante modo, também é um conhecimento não-científico. Entretanto, é mais do que um agregado de conhecimento que se apoia na expansão do horizonte, vindo a entrar em contato com diferentes pessoas de tempos em tempos, isto é, a expansão de uma área de observação – na verdade, é a visão que nos foi passada no lar, ou que talvez tenhamos adquirido com dificuldade. Não é uma concepção científica, mas uma visão acerca de Deus, do mundo, da vida, do homem, de nossos semelhantes e também de nós mesmos.

1 de dezembro de 2015

Palavras: a vida e a morte na ponta da língua


Texto base: Provérbios 18.21

O livro de Provérbios retrata em forma de comparações a vida cotidiana com suas verdades mais profundas. Os provérbios são diretrizes práticas, isto é, princípios básicos de Deus para que o homem os observe. Em outras palavras, são ditos práticos criados para levar os homens a refletirem sobre o temor de Deus e viver a vida estabelecida pelo padrão da sabedoria divina.  

30 de novembro de 2015

O problema do mal (2/2)


 A confissão de Westminster afirma que Desde toda eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho de sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas (3.1). Essa afirmação cuidadosa diz que:

1. Tudo o que acontece é ordenado pela vontade de Deus.
2. Deus não é o autor do pecado.
3. Nenhuma violência é feita à vontade da criatura.
4. A contingência das causas secundárias é estabelecida pela preordenação divina.

O papel de Satanás na queda


Após um considerável número de anjos terem pecado e tornados em demônios, o diabo conspirou para a queda de Adão e Eva, a fim de impedi-los de glorificar a Deus, O qual odiava com ódio aterrador, visto que Ele rejeitara os demônios, excluindo-os eternamente da graça.

O diabo primeiramente atacou Eva quando ela se encontrava sozinha, provavelmente postada perto da árvore do conhecimento do bem e o mal. Ali ele a enganou, e Eva, tendo sido ludibriada (embora não consciente disso), também enganou a seu marido, Adão. Ora, o primeiro homem não foi enganado devido ao amor que nutria por sua esposa, mas, sim, por seu (de Eva) logro, e somente então os olhos de ambos foram abertos (Gn 3:7). O diabo foi, portanto, a causa sugestiva da Queda, e por isso é chamado de homicida desde o princípio e mentiroso (João 8:44).

27 de novembro de 2015

O ato de profetizar e determinar: Uma análise histórica, teológica e apologética (1/3)


Introdução

Nos últimos 30 anos, fatos importantes aconteceram no cenário evangélico brasileiro. As décadas de 80 e 90 trouxeram a lume muitas novidades religiosas e tendências doutrinárias inusitadas que ficariam marcadas. Muitos cristãos, especificamente os desatentos, que presenciaram a chegada dessas novidades e doutrinas no Brasil, não poderiam sequer imaginar que elas não seriam salutares e que devastaria, com o passar dos anos, de maneira implacável, uma proporção abrangente da igreja evangélica, embora os seus adeptos não concordem com isso, uma vez que são limitados ou praticamente leigos em relação ao conhecimento das Escrituras.

O ministério pastoral está mais estranho do que costumava ser: O desafio do pós-modernismo


 

Hoje em dia, uma preocupação comum parece surgir onde quer que os ministros se reúnam: o ministério pastoral está mais estranho do que costumava ser. Não que o ministério esteja mais difícil, mais cansativo ou mais exigente... está apenas diferente – e cada vez mais estranho.

Esse sentimento de estranheza deve-se à propagação da cultura e da filosofia pós-modernista; provavelmente, o movimento cultural e intelectual mais importante do atual século XXI. Que diferença o pós-modernismo tem causado? Para saber, basta olhar para a mídia moderna, para a cultura popular e para a forma como algumas pessoas arregalam os olhos, desconcertadas, quando falamos sobre a verdade, o sentido da vida e moralidade.

26 de novembro de 2015

O Princípio Regulador do Culto (2/2)


Adoração vã

Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos quando comem pão. Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós, também, o mandamento de Deus pela vossa tradição? (Mt 15.1-3).

Os fariseus eram líderes religiosos respeitados do povo judeu. Eles criam ter a liberdade de fazer adições aos mandamentos divinos. A lei de Deus continha diversas lavagens cerimoniais para representar a purificação dos impuros. Os fariseus adicionaram outras lavagens para destacar e “aperfeiçoar” a lei de Moisés. Não existe mandamento expresso proibindo essas adições cerimoniais, exceto o Princípio Regulador (Dt 4.2; 12.31). Elas não tinham fundamentação na Palavra de Deus.

Quando você planeja pecar novamente


Não existem muitos livros que respondem essa pergunta: O que você deve fazer quando estiver planejando pecar novamente? Toda a Escritura, é claro, trata dessa questão, porque todos nós sabemos que pecaremos novamente, mas há dois padrões que são especialmente precários:

25 de novembro de 2015

O problema do mal (1/2)


Vamos deixar claramente afirmado aqui que o problema do mal pode ser resolvido de uma maneira honesta e franca propondo-se que, se Deus decide predestinar ou decretar males específicos, por qualquer propósito que possa ter, quem somos nós para discutir com  Deus (Romanos 9: 19-24)? Contudo, não importa quão aborrecido isso possa ser para mente carnal, Deus é o ponto de referência para tudo que é bom, não eu, um pecador. Se já houve uma aplicação prática da oração de Jesus não seja feita a minha vontade, mas a sua (Lucas 22:42), foi esta. O bem é bom porque Deus determina assim, não porque ele se ajusta à minha irrelevante concepção inata de como as coisas deveriam ser. É totalmente fora de propósito que eu possa pessoalmente preferir que as coisas sejam de modo diferente. O sofrimento humano é um corpo de dados que deve ser interpretado de acordo com as pressuposições antes que ele possa ser entendido em qualquer sentido. Ele não significa nada por si mesmo, não obstante quão horrível nós o possamos achar.

24 de novembro de 2015

O Islamismo é a "religião da paz" (2/2)?


No máximo, há muçulmanos que não estão empenhados na jihad, na guerra santa, 100% dos seus dias, como nem todos os cristãos são Cruzados ou debatedores escolásticos. A diferença é que o islamismo exige isso de todos os fiéis, enquanto a espada cristã é a defesa contra a tirania daqueles não-seguidores de um Amai-vos uns aos outros.

Um sinal claro de maturidade cristã


Acredito que todos nós sabemos que, como cristãos, estamos destinados a crescer e amadurecer. Nós iniciamos na fé como crianças e precisamos nos desenvolver até sermos adultos. Os autores do Novo Testamento insistem que todos nós devemos fazer esta transição, do leite para a carne, da mesa das crianças para os jantares de adulto. E apesar de estarmos cientes que devemos passar por este processo de amadurecimento, muitos de nós tendem a medir maturidade de formas erradas. Somos facilmente enganados. Eu acho que isso é especialmente verdade em uma tradição como a Reformada, que (com razão) coloca uma forte ênfase no ensino e nos fatos da fé.

23 de novembro de 2015

O uso das Escrituras na Filosofia (1/2)


O presente artigo é um sumário de uma comunicação realizada por Vollenhoven no dia 06 de janeiro de 1953, durante a conferência da Society for Calvinist Philosophy [Sociedade da Filosofia Calvinista]

Publicado em Mededelingen van het Vereniging voor Calvinistisch Wijsbegeertež Sept. 1953, p. 6-9.

INTRODUÇÃO

O tema mencionado no título deste artigo não deve ser identificado com o outro acerca da Escritura e filosofia. Naturalmente, este último artigo se encontra aqui pressuposto, todavia, nosso uso das Escrituras é algo totalmente diferente das Escrituras em si. Pois as Escrituras são divinas, mas o uso que dela fazemos continua sendo humano; ao passo que as Escrituras são santas, nosso uso permanece sempre contaminado pelo pecado. Ora, o uso das Escrituras, portanto, se encontra no nível da vida humana pecaminosa, envolvida com as Sagradas Escrituras.

A fé neopentecostal


Os curandeiros neopentecostais triunfalistas atribuem a fé como o fator determinante para que as bênçãos, curas e milagres aconteçam na vida do crente. Em contraposição, se o crente não conseguiu obter aquilo que foi pedido em oração a Deus ou “determinado”, o motivo do fracasso, segundo os profetas do "novo e falso Evangelho" neopentecostal, é que a fé do crente não foi forte o suficiente, impossibilitando-o de receber o que já é seu por direito. Conforme esta "teologia" ensina, a incredulidade impede a liberação das bênçãos.  

21 de novembro de 2015

Em que sentido a vontade é livre?


Os arminianos querem que a vontade seja livre de interferência externa. Frequentemente eles dizem que, em particular, Deus nunca atropela o nosso livre-arbítrio. Essa liberdade das causas externas é suposta para salvaguardar a nossa integridade e assegurar a nossa responsabilidade. Mas o que se entende por isso — que a vontade é livre de causação? Muitas vezes, esse problema é contornado dizendo-se que a vontade é auto-causada. Isso não significa que a vontade cria a si própria, mas que seus movimentos de escolher o curso de uma ação sobre outro são automotivados e espontâneos. A vontade é auto-movida em resposta ao que a mente conhece e pode causar tanto a ação em resposta às influências ou igualmente a resistência a elas. A vontade é livre para seguir ou resistir a qualquer que seja a opção que a mente lhe apresente. 

A gnose no contexto eclesiástico brasileiro (2/2)


A inversão axial da relação culto/cultura

Podemos afirmar ousadamente que aqueles que não cumprem o Princípio Regulador do Culto, ou que, no afã aparentemente louvável de diluir os elementos do culto na cultura local, alteram suas liturgias, são não apenas idólatras e insinceros, mas também solapam quaisquer tentativas de redenção cultural.

Ora, Kuyper já havia dito que uma cultura pode subsistir sem a arte (o que a empobrece, evidentemente), porém não sem a religião. Russel Kirk já atentara para o fato de que toda cultura (como a própria etimologia aponta) provém de um cultus. Dito de outro modo, a religião é o embrião de toda civilização, assim como o cimento que coere seus indivíduos organicamente. Não cabe aqui explorar todos as nuances e complexidades dessa questão – Christopher Dawson, o grande historiador católico, já estabeleceu e explorou tais princípios em seu livro Progresso e religião.

20 de novembro de 2015

A dificuldade de orar (e uma solução)


Oração não é fácil. Eu vejo que isso é verdade para mim, mas outros que têm meu respeito também dão testemunho da dificuldade de orar. Alguns indivíduos fazem parecer fácil; se eles passam horas por dia na tenda do encontro, provavelmente eles levam também o computador para lá.

Considere os seguintes testemunhos, que são de cheios de pensamentos que, muito curiosamente, não são normalmente ouvidos quando as pessoas dão seus testemunhos públicos:

Tudo que fazemos na vida cristã é mais fácil que orar (Martyn Lloyd-Jones).

Não há nada em que somos tão ruins em todos os nossos dias do que a oração (Alexander Whyte).

Houve momentos em minha vida em que preferia morrer a orar (Thomas Shepard).

O Princípio Regulador do Culto (1/2)


Devido à natureza humana pecaminosa, o povo pactual de Deus não raro se desvia da verdade. É comum o homem perverter a verdadeira religião ao eliminar elementos considerados desagradáveis. Ele também a corrompe pela adição de ideias próprias. Essa tendência de deturpar a verdadeira religião, mediante adição ou subtração, constitui a razão de Deus ter advertido Israel de nada acrescentar ou retirar de sua Palavra:
Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes; para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o Senhor Deus de vossos pais vos dá. Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando (Dt 4.1-2).

Esta passagem da Escritura — além de outras semelhantes a ela — forma a base da doutrina chamada sola Scriptura [só a Escritura] dos reformadores protestantes. Isto é, somente a Bíblia é a autoridade final em todas as questões de fé e prática.

19 de novembro de 2015

A Soberania de Deus e o Evangelismo


Muitas pessoas lutam com a soberania de Deus na eleição, porque acreditam que ela exclui a prática do evangelismo. Elas se perguntam: se as pessoas são ou não eternamente eleitas, que bem fará a pregação? Que diferença fará? No entanto, como a Escritura ensina, a soberania de Deus na eleição e a prática do evangelismo não são inimigas, mas amigas. O evangelismo está enraizado na eleição, e enquanto o homem planta e rega a semente do evangelho, Deus traz o crescimento.

Os Meios e os Fins

A soberania de Deus na salvação é mais clara e nitidamente vista no ensino da Escritura sobre a eleição. A eleição é incondicional, isto é, a escolha de Deus não se baseia em nada de bom ou meritório do escolhido, algo louvável que tencione ou influencie Deus em sua escolha. Ao invés disso, a escolha de Deus é feita exclusivamente com base na Sua boa vontade.

18 de novembro de 2015

Quando perdemos o amor por Deus


Texto base: Ap 2.1-7

A carta de Jesus à igreja de Éfeso é também a carta de Jesus à nossa igreja.1 Ela é oportuna, necessária e atual. Esta carta não retrata somente a situação espiritual da igreja histórica de Éfeso, que havia deixado de praticar o amor, mas também demonstra a situação espiritual que assola a igreja hodierna, que também deixou de vivenciar o amor.

INTRODUÇÃO

Na igreja primitiva, as pessoas consideravam Éfeso uma cabeça de ponte na província da Ásia, isto é, a cidade mais importante; por isso ela a primeira entre as sete igrejas a receber uma carta e ser denominada a igreja mãe da província da Ásia.2

O Islamismo é a "religião da paz" (1/2)?


Diferentemente de nossos colonizadores portugueses, o Brasil desconhece quase inteiramente a religião muçulmana, tendo seu provável primeiro grande contato com o islamismo no dia 11 de setembro de 2001, no ataque às torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York.

Confuso e imerso em uma cultura embebida em um forte discurso anti-americanista, o brasileiro se sentiu perdido com um ataque terrorista perpetrado por um grupo de profundíssima base religiosa como a al-Qaeda. Ao mesmo tempo, logo o islamismo foi apresentado como a religião da paz

17 de novembro de 2015

A essência singular da fé (1/2)


Tendo visto o objeto da fé, partamos agora em direção à forma ou à essência singular e natureza da fé. A essência de algo é aquilo que faz com que este algo seja o que é. A essência de uma coisa a identifica e a distingue de todas as demais coisas. Uma coisa pode possuir apenas uma única essência. Logo, se há duas essências, há também duas coisas. Portanto, de semelhante modo, a fé possui um essência que lhe é exclusiva.

Neste ponto, devemos notar em que consiste (e também em que não consiste) a natureza essencial da fé.

Oração não é “magia branca”


E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. (Jesus Cristo no Evangelho de Mateus 6.7-8, ARA)

A Oração é um santo oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados, e um agradecido reconhecimento das suas misericórdias. (Resposta da pergunta #98 do Breve Catecismo de Westminster)

A oração é o grande privilégio do crente. Quando nós crentes vamos ao encontro do nosso Pai celestial em oração, através da fé em Seu Filho Jesus Cristo, nosso único mediador, literalmente entramos pelo Espírito Santo no que pode ser descrito como outra dimensão. Na oração nós nos achegamos ao trono da graça, entramos no santuário interno, o celestial Santo dos Santos, a própria sala do trono da presença de Deus onde o Criador do universo é servido por anjos, apóstolos, santos e mártires, e toda a companhia celeste (Hebreus 4.14-16; 12.14-24,28-29; Apocalipse 4-5; 7.9-12).