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19 de setembro de 2016

Eu e o Pai Somos Um


Quando Jesus disse Eu e o Pai somos um (João 10.30), o que Ele quis dizer? O gênero da palavra grega para “um”, nesta passagem, não é masculino, mas neutro, designando o Pai e Jesus não como uma pessoa, mas como uma entidade (“um objeto”). A afirmação clara da divindade de Jesus no Evangelho de João é surpreendente, uma vez que suscita algumas questões importantes a respeito de Sua relação com Deus Pai. Se Deus Pai – Yahweh, o grande “Eu Sou”, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó é Deus, e Jesus é Deus – quantos deuses são, afinal?

8 de agosto de 2016

Os Efeitos da Expiação de Cristo


Os efeitos da expiação são imensos. Eles não alcançam apenas o povo de Deus, mas toda a criação. Todas as coisas existentes, de um modo ou de outro, se viram afetadas pela expiação de Cristo. Ela é, sem dúvida, a obra divina mais abrangente.

Em relação a Deus

Podemos dizer que a redenção foi totalmente em relação a Deus. Cristo não pagou resgate a Satanás ou a qualquer outro. Ele estava satisfazendo uma exigência do próprio Deus. Isso não quer dizer que algo da imutabilidade de Deus foi afetado pela expiação. Deus simplesmente dirige, sobre a base do sacrifício, seu amor e bondade ao homem, ao passo que sem o sacrifício, somente a ira seria dirigida ao homem. 

21 de julho de 2016

Análise da expressão "Desceu ao Hades"


8. Procedência e legitimidade da inserção da especificidade do artigo "Desceu ao Hades" no Credo

Além disso, não convém omitir sua descida às regiões infernais, cuja importância não é de pouco valor para a efetivação da redenção. Ora, se bem que dos escritos dos antigos, este artigo que se lê no Credo parece não ter sido particularmente usado outrora nas Igrejas; contudo, em se tratando da suma da doutrina, é preciso dar-lhe o lugar necessário, visto que ele contém mistério excelente e longe de desprezar-se de matéria da máxima relevância. Há, na verdade, também alguns dentre os antigos que não o omitem, donde é lícito conjeturar que, inserido após certo decurso de tempo, tornou-se costumeiro às igrejas não de imediato, mas gradualmente.

14 de junho de 2016

O Subordinacionismo


A dificuldade de entender a encarnação resulta na tendência de fazer do Filho alguém menor que o Pai. Mesmo em igrejas que aderiram aos credos ortodoxos, essa tentação é bem forte. A Bíblia ensina que, ao se tomar humano, o Filho assumiu uma posição de subordinação ao Pai na economia da Trindade (Fl 2.5-8). Mas alguns teólogos propõem que essa subordinação seria eterna. Por exemplo, Robert Letham argumenta que a Trindade existe na forma de uma ordem eterna de autoridade e obediência.147 E até mesmo Wayne Grudem concorda com ele. Após afirmar que a economia da Trindade significa que as três pessoas têm papéis diferentes em relação ao mundo, ele afirma que essas relações de subordinação existiam por toda eternidade:

3 de junho de 2016

A Humanidade do Redentor (2/2)


Texto base: 1 Timóteo 2.5

3. As fraquezas humanas de Jesus

Conforme vimos, as limitações são características essenciais da natureza humana independente do pecado. Adão, antes da queda, em seu estado de santidade (Ec 7.29), possuía limitações como fome, sede e cansaço. As fraquezas, por sua vez, são características essenciais da natureza humana “corrompida pelo pecado”.

Sabemos que, após queda de Adão, todos pecaram (Rm 3.23). Entretanto, é bem verdade que você e eu não estávamos lá naquele fatídico dia! Não éramos nascidos! Você e eu não pecamos contra Deus. Ninguém estava lá no Éden, a não ser Adão e Eva, que pecaram. Por outro lado, estávamos lá, sim, porém unidos em Adão, que era o representante legal da humanidade perante Deus. Todos pecaram porque todos estavam ligados em Adão, o “tronco da humanidade”. Éramos os galhos daquela árvore que, dali em diante, passou a não dar mais frutos bons, mas frutos contaminados pelo pecado.

17 de maio de 2016

A Humanidade do Redentor (1/2)


Texto base: 1 Timóteo 2.5

Acerca da humanidade do nosso Redentor e suas implicações, precisamos entender primeiramente a questão da unio personalis. Em suma, quero enfatizar três termos que são a chave para o entendimento correto do tema em pauta. Senão vejamos:

O SIGNIFICADO DE UNIO PERSONALIS

A expressão unio personalis significa “união hipostática”. É a união das duas naturezas de Cristo, isto é, a natureza divina com a natureza humana, que se deram no momento da encarnação do verbo, pela ação miraculosa do Espírito Santo. A segunda pessoa da trindade assumiu uma natureza humana que não existia, tendo que vir a existência nascendo do ventre de uma mulher chamada Maria, independente da união com a natureza divina. Portanto, “a união da pessoa divina (e sua natureza) com a natureza humana não resulta na criação de uma pessoa dupla, mas numa pessoa divina, em que as duas naturezas, a divina e a humana, estão unidas”.1

28 de abril de 2016

16 argumentos que mostram que Cristo não morreu pela salvação de todos os homens


1. Dois argumentos baseados na natureza do novo concerto

Argumento 1 - Em Mateus 26:28 o Senhor Jesus Cristo fala de o meu sangue, o sangue do Novo Testamento. Este novo "testamento" ou "concerto" é um novo acordo, ou contrato, que Deus fez para salvar os homens. O sangue de Cristo derramado em Sua morte, é o preço desse acordo, e diz respeito somente àqueles a quem o acordo se aplica.

Este novo acordo, ou aliança, é diferente do velho acordo que Deus fez com os homens. Pelo velho acordo (ou concerto) Deus prometeu salvar todos os que guardassem as Suas leis: o homem que fizer estas coisas viverá por elas. (Romanos 10:5; Levítico 18:5). Mas, em razão dos homens serem pecadores, eles não podem guardar as leis de Deus. Portanto, o velho acordo ficou sem efeito.

29 de fevereiro de 2016

Um Resumo da Cristologia Ortodoxa


Não há questão mais importante do que a que Jesus fez a seus discípulos (Mt 16.15): Quem dizeis que eu sou? Nenhuma questão foi mais intensamente debatida, completa e parcialmente mal entendida, ignorada com grande risco e respondida corretamente com grande benefício do que essa. A resposta correta para essa pergunta é, em alguns aspectos, simples o bastante para salvar uma criança, mas também complexa o bastante para manter os teólogos ocupados por toda a eternidade. Se a vida eterna é conhecer a Jesus Cristo (Jo 17.3), então não podemos nos dar ao luxo de sermos ignorantes sobre aquele que é "o mais distinguido entre dez mil" (Ct 5.10).